O sol faz parte do nosso equilíbrio de vida, mas pode também representar um risco significativo para a pele. A dermatologista Florence Bourlond, do Centro Hospitalar do Luxemburgo, lembra a importância da prevenção, da deteção precoce e adoção de gestos simples no dia a dia para reduzir os riscos de cancro cutâneo.
Sobre o autor
Este artigo foi escrito seguindo uma apresentação de Sandrine Stauner-Facques , Responsável de Comunicação da DSB Communication, em collaboração com a DKV Luxembourg.
Tudo o que muda na pele deve alertar: a deteção precoce pode salvar vidas.
Embora , muitas vezes banalizado, o cancro da pele é, no entanto, um dos cancros mais frequentes. Agrupa várias formas com evoluções muito diferentes, desde lesões localizadas de tratamento fácil aos melanomas, mais agressivos e potencialmente graves. Se for detetado cedo, cura-se na maioria dos casos.
Cancros da pele com perfis muito diferentes
Deve distinguir-se os Non Melanoma Skin Cancers (NMSC), ou seja, todos os cancros da pele que não são melanomas, e os melanomas. Entre os NMSC encontram-se principalmente os carcinomas basocelulares e os carcinomas epidermoides cutâneos, bem como formas mais raras como o carcinoma de Merkel.
O carcinoma basocelular é o cancro da pele mais frequente no mundo e pode surgir relativamente cedo, a partir dos 30 ou 35 anos. Está estreitamente associado à exposição solar e afeta principalmente as pessoas de pele clara e com exposição significativa ao sol. Quando é diagnosticado e tratado a tempo, não provoca metástases e é muito facilmente tratável. O carcinoma epidermoide cutâneo também tem, muitas vezes, um bom prognóstico, mas pode, evoluir para formas graves e afetar os gânglios se for negligenciado durante um longo período.
Por fim, o melanoma é a forma mais gravel. Desenvolve-se a partir das células de pigmentação e pode parecer um mero sinal, o que pode tornar a sua deteção difícil. É o cancro da pele que exige maior vigilância.
A regra ABCDE: uma referência simples para todos
A regra ABCDE permite identificar os sinais precoces de um melanoma. Assenta em cinco critérios claros e fáceis de lembrar.
A – Assimetria: um sinal torna-se suspeito quando os dois lados deixam de ser parecidos e ele perde a sua forma regular;
B – Bordas: é necessário estar atento quando os contornos se tornam irregulares, turvos ou mal delimitados;
C – Cor: surge um alerta quando um sinal apresenta várias cores ou muda de cor;
D – Diâmetro: uma lesão cujo tamanho aumenta pode ser um indicador, apesar de este critério sozinho não ser suficiente para estabelecer um diagnóstico;
E – Evolução: é o critério mais importante. Qualquer alteração de forma, cor, textura ou aparência deve ser motivo para uma consulta médica.
Os principais fatores de risco
O principal fator de risco é a exposição aos raios ultravioleta, seja ela profissional ou associada ao lazer. Diz respeito, nomeadamente, a professores de ténis, trabalhadores da construção civil, jardineiros ou quem instala telhados e coberturas, porque estão continuamente expostos. Abrange também certas atividades de lazer, como o golfe, a vela ou o esqui, em que a radiação UV se junta à reverberação, aumentando fortemente a exposição. A imunodepressão constitui outro fator de risco importante, nomeadamente nos pacientes sujeitos a tratamentos que reduzem as defesas imunitárias, com um risco acrescido de carcinomas epidermoides, entre outros. Algumas doenças genéticas raras, como o xeroderma pigmentosum, tornam também a pele extremamente sensível aos UV e exigem uma proteção máxima desde tenra idade.
Prevenção: gestos essenciais no dia a dia
A prevenção assenta, em primeiro lugar, na limitação da exposição solar, sobretudo entre as 12h e as 16h, período em que os raios UV são os mais intensos. Quando a exposição ao sol é inevitável, recomenda-se o uso de roupa que cubra bem o corpo, um chapéu de abas largas e óculos de sol, para reduzir ao máximo as zonas expostas.
Para as pessoas que trabalham no exterior ou que praticam regularmente atividades desportivas ao ar livre, como os trabalhadores da construção ou os desportistas, estas proteções físicas devem ser sistemáticas, porque oferecem uma barreira eficaz e duradoura contra os raios UV.
Os cremes solares com fator de proteção muito alto, incluindo os SPF 100, estão disponíveis em farmácias e podem ser usados, nomeadamente, por pessoas em risco ou que já tenham tido cancro da pele. Oferecem uma proteção reforçada e podem ser aplicados várias vezes por dia, devendo sempre ser integrados numa estratégia global de proteção solar. Não se deve esquecer de proteger com cuidade as zonas que muitas vezes são esquecidas, como as orelhas.
Um aumento dos casos, mas uma deteção melhorada
Hoje em dia, verifica-se um aumento global dos cancros da pele. Esta evolução pode ser explicada por vários fatores, nomeadamente uma geração mais exposta aos raios UV em viagens, o uso de solários no passado e uma melhoria das capacidades de diagnóstico. Atualmente, os cancros são detetados mais cedo, o que permite um acompanhamento mais eficaz e contribui para limitar o aumento da mortalidade.
Rastreio e vigilância: um reflexo essencial
O controlo regular da pele (a sua e a das pessoas que lhe são próximas) é indispensável e a mínima alteração deve ser considerada como um alerta. A primeira etapa passa por consultar um médico generalista, que o encaminhará para um dermatologista, se necessário. Campanhas de rastreio, como a Semana Europeia de Prevenção, contribuem também para a sensibilização do público em geral, embora as populações mais expostas continuem, por vezes, a ser as mais difíceis de alcançar. As informações estão disponíveis no site euromelanoma.eu.
Uma mensagem crucial de prevenção
A mensagem principal continua a ser simples: nunca se deve banalizar uma alteração cutânea. Qualquer alteração ou surgimento suspeito de um sinal deve levar a uma avaliação rápida em consulta porque a deteção precoce continua atualmente a ser a melhor arma contra as formas graves de cancro da pele.
Seguros de saúde DKV Luxembourg
Descobrir


