E se aprendêssemos a lidar com o nosso stress de forma mais consciente e conseguíssemos reconhecer atempadamente os primeiros sinais de alerta de stress crónico? O stress ocasional faz parte da vida, mas um stress prolongado ou contínuo leva muitas vezes a um esgotamento.
Sobre o autor
Este artigo foi escrito pelo Dr. Eric Mertens, Diretor-Geral da DSB Communication e editor das revistas SEMPER Luxembourg™ e Letz be healthy™, em colaboração com a DKV Luxembourg.
Gerir o stress significa primeiro detetar os primeiros sinais de sobreaquecimento emitidos pelo corpo
Todos conhecemos o stress benéfico. É o desafio que nos estimula. É ele que nos ajuda a fazer um exame, a assumir um projeto ou a ultrapassar uma etapa na vida.
É o “pico de adrenalina”, no sentido literal e figurado, que aumenta a nossa vigilância e o nosso desempenho, tanto físico como mental.
Tal como o atleta no fim do esforço ou o artista depois do espetáculo, é essencial conseguir aliviar a pressão para evitar a espiral do esgotamento.
Por isso, gerir o stress passa, primeiro, por conseguir desligar-se das causas de tensão, sejam elas familiares ou profissionais.
Sair com amigos, descansar, deixar as crianças ao cuidado de alguém para tirar tempo para si e permitir a partilha dentro do casal são alguns exemplos.
Eis algumas dicas para melhor gerir o stress aos primeiros sinais de alerta
- Cuidado com o seu estilo de vida: uma alimentação saudável, a prática regular de exercício físico e moderação no consumo de estimulantes, como o café e o álcool, são essenciais. E não só para combater o stress.
- Relaxe: para algumas pessoas, será através da meditação ou da respiração profunda; para outras, através do ioga, das massagens ou de uma atividade artística.
- Reserve tempo para si, desligue-se dos ecrãs omnipresentes, e faça várias pequenas pausas todos os dias.
- No trabalho e na vida privada, aprenda a impor limites, fale com alguém de confiança ou escreva sobre o que sente.
- Estabeleça objetivos simples e realistas, e aponte diariamente três pontos positivos.
- Por fim, se o stress se mantiver ao longo do tempo ou os sintomas se agravarem, não hesite em falar com o seu médico ou outro profissional de saúde.
Do burn-in ao burn-out
O burn-in é a primeira fase do esgotamento profissional. Recorremos às reservas de energia perante um stress crónico, sem nunca recuperar. Estamos presentes no trabalho, mas esgotados, e menos produtivos. Fala-se por vezes de presenteísmo para designar o facto de se estar presente no trabalho quando o estado de saúde não permite ser totalmente produtivo.
O burn-out (também designado por síndrome de esgotamento profissional) é a etapa final, que pode acontecer se não intervirmos na fase de burn-in. É um esgotamento profundo, total, que leva a uma paragem de trabalho obrigatória, com sintomas semelhantes a depressão severa, e pode, em certas situações, levar a um internamento hospitalar.
Quais são os sinais de alarme?
Mas gerir o stress é também estar à escuta do corpo e da mente para detetar os primeiros sinais de “sobreaquecimento” quando o stress se torna contínuo: cansaço, problemas de sono, irritabilidade, esquecimentos e, por vezes, alguma desmotivação.
Estes sinais indicam um burn-in, com um um risco real de evoluir para o mal do século: o burn-out.
Muitas vezes, considera-se que o burn-out começa quando estamos em sobreaquecimento há, pelo menos, um mês. Tal como uma bateria que descarrega gradualmente sem nunca ser recarregada, o nosso organismo consegue suportar isso, mas os nossos neurotransmissores e hormonas de resistência ao stress (dopamina e cortisol) esgotam-se e começam a surgir vários alertas começam de forma insidiosa:
físicos (cansaço, problemas de sono, dores de cabeça, vertigens, aumento ou perda de peso…);
emocionais (hipersensibilidade, irritabilidade, ansiedade…);
motivacionais (perda de confiança em si e perda de motivação);
cognitivos (problemas de memória e concentração, impressão de ter a cabeça vazia…).
Burn-out: mais vale prevenir que remediar
Considera-se normalmente que, após 6 meses de “sobreaquecimento”, há um elevado risco de mergulhar no burn-out.
Os sintomas são semelhantes, mas muito mais intensos: o cansaço torna-se um esgotamento total, as perturbações de ansiedade podem levar a uma depressão grave, a motivação chega ao nível zero e a eficácia do doente é nula.
Por vezes, falamos também, de “sobrecarga alostática” para designar esse momento em que, perante as agressões do dia a dia, o nosso corpo e a nossa mente desistem.
Além do impacto individual, o custo económico do esgotamento profissional é enorme. No Luxemburgo, o Quality of Work Index 2024 da Chambre des salariés (CSL) e da Universidade do Luxemburgo mostravam um cenário preocupante, ao indicar que 51% dos assalariados interrogados apresentam um sofrimento psíquico aumentado ou elevado.
As consequências de um burn-out são variadas e as sequelas são muito severas
A CSL referiu-se, nomeadamente, aos setores da hotelaria, restauração e comércio, da construção, da saúde, bem como aos assalariados com horários atípicos. Nos setores mais afetados, podemos até falar de uma situação de emergência, com um número muito elevado de trabalhadores com síndrome de burn-out, depressões associadas ao trabalho e perturbações do sono significativas.
Todos conhecemos colegas ou amigos vítimas de um verdadeiro esgotamento profissional e sabemos que as sequelas podem ser muito severas: vários meses, ou até vários anos para recuperar, bem como perturbações cognitivas por vezes definitivas, com uma em cada seis pessoas deixar de poder trabalhar.
Por tudo isto, é essencial corrigir e ter cuidado logo aos primeiros sinais de alerta.
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